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«Agir…

… eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?»

Fernado Pessoa

Depois de dominar os mares, Portugal esteve prestes a conquistar os céus quando o sacerdote Bartolomeu de Gusmão fez voar, perante D. João V, o primeiro balão da história da humanidade.

Demonstração da "Passarola voadora"

Apresentação "Passarola voadora" a D. João V

A invenção não foi encarada como importante ou útil, por ser desprovida de controle tendo sido considerada perigosa.

O lançamento da Passarola Voadora marcou, no entanto, a primeira ascensão de um objecto mais pesado que o ar.

O sacerdote-inventor figura na literatura como uma das personagens centrais do romance de José Saramago  “Memorial do Convento” e o seu invento foi lembrado por António Gedeão no poema “Pedra filosofal”.

ideograma_crise

A milenar sabedoria chinesa ensina-nos que a representação do conceito de “crise” resulta da escrita de dois ideogramas, o “wei”, que significa risco e o “ji”, que se poderá traduzir por oportunidade.

A narrativa da crise, hoje omnipresente, não deverá ser erguida como desculpa para a inacção ou como pretexto para a desresponsabilização.

Conforme escreveu Fernando Pessoa:

Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Tem vindo a emergir o debate sobre estruturações políticas europeias consideradas de grande potencial: As Euro-regiões.

Existem Euro-regiões transfronteiriças, como é o caso do Eixo Atlântico (Galiza – Norte de Portugal) e Euro-regiões dentro do próprio país (futuro caso da Grande Lisboa).

As primeiras experiências de cooperação transfronteiriça ocorreram em finais dos anos quarenta. São referências o Acordo de Benelux em 1948; a Euregio em 1958 (Holanda/Alemanha) e várias experiências de sucesso na Escandinávia.

As razões do elevado potencial destas organizações relacionam-se com o facto das fronteiras nacionais se constituírem, com frequência, num obstáculo para o desenvolvimento do território, limitando o seu potencial competitivo. Através destas estruturas procura-se eliminar o efeito barreira, criando sinergias para a busca de projectos e soluções comuns, impulsionando, de baixo para cima, e a partir da vida quotidiana, a promoção da melhoria da qualidade de vida das populações.

As Euro-regiões promovem a colaboração entre sectores públicos, entre os sectores privados e entre uns e outros. São entidades, verdadeiramente pan-europeias, que beneficiam de formas de financiamento próprio, que surgem e se legitimam, enquanto projecto transnacional, a partir da existência de vínculos histórico-culturais entre regiões com proximidade territorial.

As suas políticas centram-se em acções que produzem valor acrescentado, tais como: aumento da competitividade; conexão de redes intangíveis (serviços) ou físicas (transportes); mobilidade do mercado de trabalho; gestão de recursos (hídricos, turismo, património), questões sociais, de saúde, de educação, transportes e vias de comunicação.

 

Actualmente estas entidades multiplicam-se. Em Portugal registam-se vários casos, como a Euro-região Galiza-Norte de Portugal, existindo movimentações para o estabelecimento de uma outra, constituída pelos arquipélagos da Macaronésia (Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde).

 

Braga pertence ao Eixo Atlântico, Euro-região surgida em 1992 e composta, por 18 cidades membros: 9 do Norte de Portugal e 9 da Galiza.

Um estudo da Espirito Santo Research, recentemente apresentado, detecta grandes linhas estratégicas que fazem da Euro-região Galiza-Norte de Portugal um destino atractivo para a realização de investimentos ao nível das plataformas logísticas, energia, “cluster” do têxtil, turismo, inovação, entre outras.

 

Importará perceber, em concreto, o papel de Braga na Euro-região Eixo Atlântico. Qual o contributo, visibilidade e resultados que a participação de Braga neste fórum de desenvolvimento produz? Como é que o cidadão vê reflectida a participação nesta estrutura?

É estrategicamente significativo que Braga (Município e Distrito) surja como força motriz deste projecto. Braga tem um património, um acervo histórico e um potencial proeminente nesta Euro-região.

Historicamente foi Capital da Galécia, espaço que compreendia os limites da actual Euro-região, foi centro do Governo eclesiástico que desempenhou papel de relevo na sedimentação das relações das gentes e da cultura neste âmbito geográfico. E hoje, possui um conjunto de elementos diferenciadores, que podem contribuir, de modo fundamental, para o sucesso do Eixo Atlântico: a Universidade do Minho, o Laboratório Ibérico de Nanotecnologia (INL), o cluster do têxtil, o turismo (religioso em Braga, património da humanidade em Guimarães), para citar apenas alguns.

Fruto do passado liderante, e do presente com potencial, Braga pode e deve ser um actor de relevo na estruturação, dinamização e mediação dos vários agentes no Norte de Portugal, na Galiza, e na Europa. Haja, para tal, a liderança, a vontade e a mobilização necessárias.

Publicado no Jornal Diário do Minho em 09/09/2008

Há 40 Anos

Checoslováquia, 1968

 

O Movimento do PC Checo por um “socialismo com face humana” surpreendeu a sociedade Checa, quando em Abril de 1968 soube das suas ideias reformistas: transformar o país numa Social-democracia ao estilo ocidental.

 

A União Soviética, temendo a propagação desses ideais aos restantes países sob influência comunista, mandou tanques do Pacto de Varsóvia invadirem a capital Praga em 20 de Agosto de 1968. Os russos conseguiram uma ocupação total em poucas horas, porém a população Checa foi eficiente em minar o moral das tropas.

 

O povo reagiu a invasão soviética de forma não violenta. No dia 23 iniciou uma greve geral e no dia 26 publicou o “Decálogo da não cooperação”: não sei, não conheço, não direi, não tenho, não sei fazer, não darei, não posso, não irei, não ensinarei, não farei!

 

Um dos livros que fazem referência à Primavera de Praga é o Livro “A Insustentável Leveza do Ser”, de Milan Kundera. Relata o Amor de dois casais e seus conflitos amorosos. Uma óptima leitura para uma maior “familiarização” com a Primavera de Praga. Uma luta heróica de um Povo em busca da verdadeira Liberdade.

Olimpíadas

As olimpíadas desportivas não são só feitas por medalhas de ouro, o seu valor vai muito para além disso.

Em vésperas de início dos Jogos publica-se um dos mais recentes exemplos da materialização do verdadeiro espírito das Olimpíadas o herói foi Bjoernar Haakensmoen (Turim, Itália, 2006)

A canadiana Sara Renner estava a liderar a sua equipa na estafante corrida de velocidade cross-country em esqui quando o bastão do seu esqui esquerdo se partiu. Ela tentou prosseguir mas era inútil. Numa subida, vários esquiadores ultrapassaram-na.

Então algo de extraordinário aconteceu. Um homem saiu das laterais da pista e entregou a Renner outro bastão. Ela regressou à corrida e conseguiu ganhar algum do tempo perdido. Na final, o Canadá ganhou a medalha de prata.

Só no final da corrida é que Renner soube a identidade do seu benfeitor, era Bjoernar Haakensmoem, o treinador da equipa norueguesa, que chegou em quarto lugar. Haakensmoen tornou-se num herói no Canadá instantaneamente. Um jornal de Montreal publicou a imagem de uma bandeira com uma única palavra na manchete. «TAKK», que é obrigado em norueguês.

Haakensmoen não percebeu a causa de tanta atenção. «O espírito Olímpico é o caminho que tentamos seguir,» disse a um jornal. «Se ganharmos mas não ajudarmos alguém quando o deveríamos fazer, que tipo de vitória é essa?»

 

© Bill Ecenbarger Selecções Reader’s Digest

Estudos

Foi recentemente publicada a Revista do Centro de Estudos sobre Desenvolvimento Regional e Local (CEDREL, n.º 220) que contém artigo sobre a realidade do Município e do Distrito de Braga no que respeita às dinâmicas de cooperação em rede. O referido artigo pode também ser encontrado na página das publicações existente na barra superior do site.

Divulgo ainda estudo apresentado na Conferência do EGPA – Berna (também incluído na página das publicações) sobre as dinâmicas existentes no Concelho e no Distrito de Braga, nomeadamente ao nível político e da gestão intermunicipal. O referido evento contou com a participação do Presidente da Comissão Europeia (Dr. José Manuel Durão Barroso).

Minister: They have people paying farmers to produce surplus food and people across the hall paying other to destroy it. And, in the middle, they employ a full staff to oversee all this. Doesn’t this shock you?

Bernard: Oh no, I’m a public servant.

.

Minister: The government is down in the polls. What have I done wrong?

Humphrey: Being down in the polls means you have done things right.

.

Humphrey: So what do you want?

Bernard: I want to act with a clear conscience.

Humphrey: Since when did you acquire such a taste for luxury?

.

Minister: I never believe anything until it’s been officially denied.

.

Minister: There is good in everyone, you know?

Interviewer: Except the French.

Minister: Even the French.

Em tempos de Orçamento Participativo um forum e um exemplo de Boas Práticas na Governação local.

El Área de Participación Ciudadana del Ayuntamiento de Santa Cristina d’Aro, (Girona) se creó el año 2003. Desde entonces la elaboración del Pressupuesto Municipal de Santa Cristina se realiza de manera Participativa, es a decir, desde las propuestas que hacen los ciudadanos y ciudadanas en las Asambleas de Barrios y Temáticas.

Debido a esta experiencia reconocida alrededor del mundo, el Ayuntamiento de Santa Cristina d’Aro ha recibido dos años consecutivos, 2006 y 2007, el Premio de Innovación Democrática de la Generalitat de Catalunya.

Desde su creación, el Área de Participación Ciudadana ha estado manteniendo una preocupación constante sobre las nuevas líneas de trabajo de la Innovación Democrática, siendo éstas el referente desde el que se han ido desarrollando las diferentes Políticas de Participación Ciudadana. Con esta voluntad nace la idea de organizar un Congreso Internacional que conjugue las políticas de Participación Ciudadana con el análisis y debate de la Participación Ciudadana . Es por esto, que los próximos 16, 17 y 18 del mes de octubre se celebrará en Santa Cristina d’Aro, (Girona) un Congreso de Innovación Democrática. Un Congreso organizado por el Ayuntamiento de Santa Cristina d’Aro, la Diputació de Girona, Diputació de Barcelona, Consell Comarcal del Baix Empordà, Universitat de Vic, Universitat de Barcelona i el Departament d’Interior, Relacions Institucionals i Participació Ciutadana de la Generalitat de Catalunya.

En este Congreso se pretende realizar una reflexión de las experiencias participativas innovadoras, a la luz de las aportaciones del debate contemporáneo sobre la democracia. Para ello, pretendemos dividir los debates de este Congreso en dos apartados. En el primero de ellos, se debatirá sobre el funcionamiento de los actuales sistemas políticos representativos que inciden en la calidad de la democracia. En la segunda parte se analizará, desde una perspectiva descriptiva los instrumentos de democracia participativa, que pretenden mejorar la calidad de la democrática, contribuyendo con ello objetivamente a la relegitimación del sistema democrático en su conjunto, pero sin que eso signifique en modo alguno la sustitución del sistema representativo.

Ricard Herrero i Suñer

Alcalde de Santa Cristina d’Aro

www.santacristina.net/congreso

 

No segundo semestre do próximo ano realizar-se-ão eleições autárquicas, sendo que o novo executivo municipal entrará em pleno em funções no ano 2010.

Pretende-se que durante este período mais sereno que antecede a pré-campanha eleitoral os candidatos, e mais estruturadamente, as organizações partidárias, que se vão propor para liderarem o executivo camarário, apresentem aos Bracarenses a sua Visão estratégica para Braga. Que cidade se propõem ajudar a construir numa década: Como será Braga em 2020?

A falta de uma visão a médio / longo prazo demonstra ser perniciosa, uma vez que se reduz à gestão do dia-a-dia, e se traduz em táctica sem estratégia, o que deriva em errância, em indefinição, em incoerência e em decadência.

Séneca afirmou: “Se o homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável”. O mesmo acontece com as cidades.

Uma cidade como Braga precisa de uma Liderança com perspectiva, que tenha uma Visão sufragada que lhe permita fazer escolhas com um objectivo e um rumo definido, conhecido pelos cidadãos.
Como vai então ser a cidade daqui a uma década? Qual a sua marca? Que mais valia? Com quantas pessoas? Qual a sua área de influência? Quais as áreas estratégicas para o seu desenvolvimento?

Será uma cidade mais voltada para o turismo? Uma cidade tecnológica? Uma cidade de lazer? De Cultura? De Conhecimento? Uma cidade verde? Uma cidade referência? Em que área e a que nível?

No Norte de Portugal, na Euro-região Norte de Portugal – Galiza, no País, na Europa? Qual vai ser o traço distintivo, estratégico, característico de Braga?

Bem sei que se pode dizer que vai ser um bocadinho de tudo, que o ciclo eleitoral não ajuda a ter uma Visão de uma década, entre outras. Isso, não é, no entanto resposta de um Líder. Os tempos de hoje não se compadecem com algo que não seja mais concreto, mais específico, mais visível, mais real.

As decisões tomadas agora condicionarão sempre o futuro. Outras cidades apresentaram uma visão e fizeram opções estratégicas, com excelentes resultados.

Martin Luther King disse um dia que tinha um sonho, e nesse mesmo discurso caracterizou-o de modo claro, evidente, com nitidez. Mais tarde o Sonho tomou forma.

Como vão ser a cidade e o concelho em 2020? Que Braga vamos construir?

Qual vai ser na visão dos candidatos e estruturas partidárias – porque as pessoas podem ser substituídas no percurso – a cidade que vão ajudar a construir na próxima década?

Só depois de sabermos com Nitidez para onde queremos ir, poderemos definir, com rigor, o caminho a seguir.

Não basta gerir. As funções de um gestor são as de resolver as questões do dia-a-dia. Os gestores contratam-se, são profissionais, estão no mercado.

O Líder, e é isso que vamos escolher nas próximas eleições autárquicas, tem que definir o destino, traçar um rumo e conhecer o caminho. Estabelecer uma visão, de onde derivam os objectivos, as estratégias, e o rumo a seguir.

Assim, em jeito de repto a pergunta que deixo aos partidos em particular e à sociedade civil em geral, resume-se em breves palavras: Braga 2020, que ideia de cidade?

Publicado no Jornal Diário do Minho em 24/05/2008

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